Keyla Sobral abre exposição de desenhos na UFPA

Não basta estar diante das imagens, há que se chegar bem perto para compreender a delicadeza desenhada em nanquim, pastel e tinta. Keyla Sobral, em seu traço minucioso, parece querer contar um segredo em “Mínimo Múltiplo Incomum”, exposição que reúne, a partir de hoje, 30 de seus desenhos no Museu da UFPA. Suspensos por fios invisíveis e livres de molduras, os trabalhos parecem flutuar pela sala.

“É um pequeno mundo, fictício ou não”, desconversa Keyla. Segundo ela, os desenhos nasceram como uma espécie de refúgio, e logo tomaram seu tempo em uma produção intensa.

“No início de 2009, eu vinha fazendo muito vídeo e web art, e comecei a me refugiar no desenho. Deixei fluir e, quando vi, estava desenhando todos os dias, quase que incessantemente”, lembra.

A idéia da exposição veio após uma conversa com Orlando Maneschy, que acabou ficando responsável pela curadoria da mostra e, portanto, assumiu a difícil tarefa de escolher, entre tantas e tantas páginas, o que viria compor a exposição. Como resultado, um conjunto de imagens em miniatura acompanhadas por frases curtas traduz registros particulares, pequenas alegrias e memórias.

“Ali estão percursos, histórias que eu conto, pequenos fragmentos, o meu subterrâneo”, define a artista, cuja trajetória é marcada pelo hibridismo. Keyla, que transita com naturalidade entre gravura, desenho, fotografia e vídeo, considera espontâneo esse cruzamento entre linguagens. “Sempre desenhei, e os outros suportes aconteceram naturalmente. Acredito que o artista acompanha o seu tempo, e esse hibridismo é o símbolo da época que vivemos”.

Curiosamente, depois de sua ilustração de mais de 60 metros quadrados tomar paredes, o chão e o teto da Kunsthaus de Wiesbaden, na Alemanha, eis que a artista volta a exibir sua habilidade como desenhista em um trabalho marcado pela sutileza.

E é exatamente por isso que adentrar neste universo requer zelo. O olhar desatento deixaria escapar, por exemplo, a figura minúscula grafada em uma das paredes da sala anil, em que um homenzinho de nanquim sugere: ‘o paraíso é azul’.

Confira

Exposição “Mínimo Múltiplo Incomum”, desenhos de Keyla Sobral. Abertura hoje, às 19h, no Museu da UFPA (Av. Governador José Malcher, 1.192, Nazaré). Visitação até 30/09.  (Diário do Pará)

FONTE:

http://www.diariodopara.com.br/N-106292+KEYLA+SOBRAL+ABRE+EXPOSICAO+DE+DESENHOS+NA+UFPA.html

Sobre MUFPA

O Museu da Universidade Federal do Pará, o único museu federal de artes visuais da Amazônia, vem desde 2003 se reestruturando para melhor guardar e avivar a memória de si e do outro. O prédio que abriga esse museu é uma construção do início do século XX, mas precisamente de 1903, conhecido como palacete Augusto Montenegro, foi projetado pelo arquiteto italiano Filinto Santoro para ser a residência particular do então Governador do Estado do Pará, Augusto Montenegro. Este arquiteto que viveu no início do século XX em Belém, era formado pela Academia de Nápoles. Para o projeto, Santoro buscou informações no estilo arquitetônico renascentista italiano, bem como parte dos materiais utilizados na construção do prédio e sua mão de obra era oriunda da Itália. Lugui Bisi foi o mestre de obras e construtor do prédio.
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